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segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Médico do trabalho esclarece sobre causas de afastamentos.


Se você falta ou já faltou ao trabalho, saiba que seu comportamento é contabilizado por fenômeno que tem nome científico, o absenteísmo. E há especialistas estudando esse desempenho a fim de solucionar suas múltiplas causas.
 
Sabe-se que um trabalhador pode faltar ao trabalho por motivos administrativos, por necessitar acompanhar algum familiar doente ou mesmo pela perda de um ente querido. Porém, as faltas que sobrecarregam o mercado são causadas por problemas de saúde do trabalhador.
 
De acordo com o médico do trabalho Carlos Henrique Santos de Pádua, as faltas por motivos de saúde podem ser causadas por doenças ocupacionais, ou seja, aquelas relacionadas ao tipo de trabalho exercido, ou por outras enfermidades, mensuradas pela apresentação de atestados.
 
O fenômeno é o resultado do número de faltas dos funcionários de uma determinada empresa, sendo um indicador para a empresa medir seus custos, porque, de acordo com a Lei dos Atestados, a empresa deve remunerar o empregado mesmo que ele não tenha desempenhado sua função na empresa.
 
O especialista destaca que hoje há diversas formas de evitar o absenteísmo acima do normal em uma empresa. "Um valor de absenteísmo é natural que aconteça mensalmente na empresa, porque é previsto que as pessoas adoeçam. Mas quando esse número atinge patamares mais elevados do que o que é previsto é preciso instituir um modelo de gestão que vai descobrir quais as causas dessas faltas", explica.
 
Pádua esclarece ainda que, no Brasil, a principal causa de afastamento por motivo de saúde é gerada por doenças do grupo LER-DORT (Lesão por Esforço Repetitivo e Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho). São aquelas que compreendem enfermidades ósseas, musculares e ortopédicas. Já as doenças psiquiátricas, em especial a depressão, saltaram do quinto lugar no ranking de causas de afastamento para o segundo lugar.
 
Avaliação
 
O médico do trabalho alerta que, para evitar gastos com afastamentos, as empresas precisam investir em melhorias da qualidade de vida de seus funcionários.
 
É um custo-benefício que acaba sendo menor e mais vantajoso para ambas as partes e não inviabiliza negócios.
 
"Observamos que a empresa oferece riscos no ambiente de trabalho que comprometem a saúde do colaborador. A intenção real do controle do absenteísmo é aquele em que é feita, a partir do atestado, uma análise epidemiológica. Ou seja, é possível levantar números em cima da causa do atestado. 
 
Com essa informação e conhecendo o setor que o funcionário trabalha, consigo descobrir qual a causa do absenteísmo. E muitas vezes as causas são condições inseguras de trabalho, como um trabalho repetitivo, que exige postura inadequada ou esforços físicos exagerados", completa.

Fonte: JM Online / Revista Proteção, 26.09.2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Transtorno mental é 3ª causa de afastamento do trabalho.


Os transtornos mentais respondem pela terceira causa de afastamento do trabalho no Brasil, de acordo com levantamentos realizados pela Previdência Social de 2008 para cá. Essas doenças perdem apenas para as do sistema orteomuscular, caso da LER (Lesão por Esforço Repetitivo), e as lesões traumáticas.
 
Muitas vezes as patologias psiquiátricas se desenvolvem a partir do que se chama de estresse ocupacional. "Ele é ocasionado por vários fatores", considera Duílio Antero de Camargo, psiquiatra, médico do trabalho e coordenador do Grupo de Saúde Mental e Psiquiatria do Trabalho do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.
 
"Ter de cumprir metas abusivas, por exemplo. Há muita cobrança, muita competitividade nos ambientes corporativos, e a pressão que se forma leva às alterações."
 
Entre os males, o mais comum é a depressão. "Em determinados anos, responde por mais de 50% dos afastamentos por transtorno mental", contabiliza Camargo. Como ela é mais comum entre as mulheres - na proporção de 3 para cada homem -, diz o médico, sua incidência predomina nas ocupações em que há mais profissionais do sexo feminino. "É muito verificada entre professoras", comenta.
 
E também se relaciona à fase da vida da mulher. "Pode aparecer quando ela está mais vulnerável, como após o nascimento de um filho ou na menopausa, períodos em que há várias alterações na parte endocrinológica."
 
Segunda colocada no ranking das causas de afastamento por doença psiquiátrica, a ansiedade pode estar associada a transtornos de estresse pós-traumático - eles surgem depois de acidentes graves com risco de morte.
 
Policiais e bombeiros são tradicionalmente os profissionais mais afetados, mas bancários, bastante sujeitos a assaltos, e caminhoneiros, que sofrem sequestros relâmpago sobretudo nas madrugadas, entraram para o grupo de risco.
 
Em terceiro lugar da lista estão as perturbações originadas pelo consumo de substâncias psicoativas, como álcool, maconha e cocaína. Elas atacam principalmente quem lida com aspectos sociais que a maioria das pessoas prefere evitar, caso de lixeiros e coveiros.
 
Esgotamento - Um dos distúrbios característicos do mercado de trabalho atual é o Burnout, uma síndrome de esgotamento profissional.
 
"Acomete pessoas perfeccionistas, que fazem do trabalho uma missão de vida e, quando não veem resultado ou reconhecimento, não conseguem mais realizar as tarefas às quais sempre se dedicou", descreve o psiquiatra do HC.
 
Nesses casos, mais uma vez os professores são as grandes vítimas.
 
Ansiedade - Vendedores que precisam cumprir metas quase impossíveis; executivos que tomam decisões vitais para a companhia; policiais, bombeiros e seguranças, que correm risco iminente de morte; profissionais da saúde, cuja responsabilidade é salvar vidas. O distúrbio adquire várias facetas, como a Síndrome do Pânico.
 
Síndrome de Burnout - É a completa exaustão emocional. O acometido pela doença não consegue mais exercer o trabalho a que antes se dedicava arduamente, por falta do devido reconhecimento ou dos resultados esperados ao longo de anos. Professores são bastante afetados.
 
Depressão - É o transtorno mental mais comum no mercado de trabalho e ataca mais as mulheres, especialmente nas fases da vida em que estão emocionalmente fragilizadas - como na chegada da menopausa; professoras são vítimas frequentes desse distúrbio.
 
Drogas - Atividades monótonas e repetitivas funcionam como gatilho para o consumo de álcool e de outras substâncias viciantes. Também recorrem a elas profissionais que precisam lidar com aspectos indesejáveis do cotidiano, como os coveiros e os lixeiros.


Fonte: Revista Proteção / UOL, 15.06.2012 
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